O livro titulado Almas Errantes é um romance que se destina ao grande público e tinha que ser humanista.
Se o livro se destina á Terra, deve conter verdade que lá seja compreendida.
Quis mostrar também o poder do espírito liberto sobre os habitantes desse globo cheio de vaidade. Não é devaneio literário; é realidade crua.
Para além da Morte alarga-se o palco e o horizonte. Os que passaram a fronteira e possam falar, que falem, mas em linguagem corrente, adequada aos que ficaram.
Haverá muitos que estranharão certos passos demasiado contundentes para a sua sensibilidade. E eu pergunto: poderão eles afirmar que faltei à verdade?
Então, porque havia de exibir ilusões, contrárias à minha maneira de ser!…
Mostrar o sentimento humano e o seu dinamismo perante certos fatores psíquicos é dever de quem escreve. Eu apresentei circunstâncias que todos sentem no isolamento de si próprios, mas que fingem não compreender em contacto com os outros.
Não será isto uma forma de hipocrisia! E não temos o dever de lutar contra a deformação da verdade? Dizer ao adolescente que o mundo é prado florido será obra de mau gosto e de ignorância, pois em breve notará que foi mistificado.
O verdadeiro escritor deve ser real e honesto. Eu sempre assim fui.
Não tenho razões para mudar.
O que vai ler nesta obra é um ensaio de literatura espírita.
Demonstra que os que partiram se interessam pelos que ficaram.
É forte? Sem dúvida. Talvez seja até demasiado forte para alguns, mas contém a porção de verdade que interessa em obras deste género.
Não o julguem antes de o ler.
Destina-se a todos, sem excepção. Já vai o tempo em que se dourava o metal da realidade para satisfazer a presunção humana.
Maria Gonçalves Duarte Santos, 1951







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