O livro Eu Capitão de Abril me Confesso foi escrito quarenta anos depois do 25 de Abril, durante os quais muita tinta correu sobre o Movimento dos Capitães, entendi colocar no papel muitas verdades escondidas da história, outras deturpadas, outras ainda criadas à revelia daqueles que tudo deram e nada pediram para que nessa madrugada se fizesse justiça aos mais desfavorecidos. Todavia reconheço que um tal desafio à história, mascarada por interesses inconfessáveis, não podia colher apoios, quando os heróis estavam identificados de entre aqueles que o poder político havia encontrado conveniência.
A primeira edição de “Eu, Capitão de Abril me confesso” editada em 1999, esgotou em dois dias, adquirida pelos patrocinadores da iniciativa e, porque conveniente, caiu na poeira bafienta da história de conveniências. Passou despercebida, relegada para o lixo, não fosse abrir caminho à verdade que não interessava revelar, de todo.
Hoje, a um passo de passar à poeira da História, por onde tenho andado a tentar habituar-me, nada tenho já a ganhar, nem a perder. Nem eu, nem aqueles que desapareceram já nessa poeira e que foram fundamentais ao desenrolar de toda a movimentação militar. Ficaremos onde estamos. Mas a História precisa de ser reescrita com toda a verdade. E há passagens que importa clarificar.
Por isso escrevi e… reescrevo. Não para destruir imagens seja de quem for. Não para criar novas imagens, até porque os militares de Abril foram mesmo, e continuam a ser, mal tratados, esquecidos e vilipendiados, até. Respeito aqueles que deram já o corpo ao pó da terra, compreendo as fraquezas daqueles que se quiseram vangloriar dos feitos de todos. Mas entendo que este povo sacrificado por séculos de esquecimento, me merece o respeito e a consideração e me impõe que lhes conte parte da verdade que ficou por contar.
CORONEL ARNALDO COSTEIRA, Abril 2014
(Capitão Silveira Costeira, Abril 1974)









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